Foto: Kelly Sikkema/Unsplash
Entenda a importância dos relatórios de sustentabilidade e conheça boas práticas para desenvolver relatórios éticos e transparentes
A demanda dos consumidores por mais transparência nas empresas e a busca por mais informações para guiar as decisões de compra não é algo novo.
Tudo começou com os sites de comparação de preço, em que as pessoas podiam descobrir qual marca estava cobrando menos por algo que desejavam comprar.
Quando a experiência se tornou mais importante que o preço em si, destacaram-se as redes sociais e plataformas de avaliações, onde consumidores podem detalhar experiências de compra.
Anos depois, a nova geração passou a exigir um posicionamento mais responsável das empresas em relação a questões socioambientais. Então, as marcas começaram a comunicar suas boas práticas nesse sentido.
Neste sentido, o levantamento Tendências Globais de Consumo 2022: O que os consumidores querem e por que – agora, em breve e no futuro, realizado pela consultoria Mintel, aponta que:
Com preocupações crescentes sobre uma série de questões – desde segurança alimentar e fornecimento ético até segurança de dados e viés de algoritmos –, o levantamento explica que os consumidores querem saber mais sobre os produtos/serviços e também sobre as marcas das quais compram.
Inclusive, a pesquisa da Mintel revela que 68% dos consumidores brasileiros concordam que é importante buscar informações sobre as práticas de uma empresa (não só sobre os produtos e serviços) antes de comprar dela.
Para que as marcas possam atender essa demanda dos consumidores, a Mintel recomenda a utilização de métricas que reflitam com precisão os problemas que elas estão tentando resolver. Afinal, se uma empresa não está medindo adequadamente o que pretende consertar ou mudar, é difícil determinar se há progresso, quanto mais comunicar esse progresso de uma maneira que os consumidores entendam.
É nesse contexto que os relatórios de sustentabilidade têm ganhado relevância e cada vez mais atenção das empresas.
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Diante de um cenário em que os consumidores exigem um posicionamento mais transparente e responsável das organizações – e demandam a comprovação de suas ações –, muitos negócios precisam adaptar não somente seus processos e operações, mas também a maneira como informam ao público o que estão fazendo para resolver os problemas que se propõem a ajudar a solucionar.
O relatório de sustentabilidade é uma das ferramentas mais importantes nesse sentido. Afinal, esse documento ajuda as empresas a comunicarem suas ações de responsabilidade socioambiental.
Contudo, assim como acontece com outras estratégias de comunicação nas áreas socioambientais, é preciso estruturar essas informações de maneira responsável e transparente, garantindo que não haja “maquiagem”, exagero ou omissão em relação às ações das empresas – práticas conhecidas como greenwashing ou purpose washing.
Criar diretrizes e padrões globais para o desenvolvimento desse tipo de relatório é uma maneira de garantir a credibilidade das informações. E é justamente com esse foco que a Global Report Initiative (GRI) atua.
GRI é uma organização internacional e independente que ajuda empresas, governos e outras instituições a desenvolverem estratégias para medir e comunicar de maneira responsável seus impactos socioeconômicos e ambientais. Para isso, a entidade oferece uma linguagem comum global para comunicar esses impactos: os chamados padrões GRI, que são as referências mais utilizadas para a produção de relatórios de sustentabilidade.
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Os padrões GRI servem como um guia na elaboração dos relatórios de sustentabilidade. Eles ajudam a identificar os impactos das operações da organização sobre o meio ambiente, economia e sociedade civil, indicando como uma empresa contribui ou visa contribuir para o desenvolvimento sustentável.
O objetivo dessas regras é fornecer informações confiáveis, relevantes e padronizadas para que as empresas avaliem oportunidades e riscos a partir desses impactos e tomem decisões mais embasadas sobre o assunto.
“Os Padrões GRI permitem que uma organização divulgue publicamente seus impactos mais significativos na economia, meio ambiente e pessoas, incluindo impactos em seus direitos humanos, e como a organização gerencia esses impactos. Isso aumenta a transparência sobre os impactos da organização e aumenta a responsabilidade organizacional.”
A regra número um dos padrões GRI diz respeito à aplicação dos oito princípios fundamentais para garantir a credibilidade e a transparência dos relatórios de sustentabilidade. São eles:
A organização deve relatar informações corretas e suficientemente detalhadas para permitir uma avaliação dos seus impactos.
A organização deve relatar as informações de forma imparcial e fornecer uma representação justa dos impactos negativos e positivos de suas operações.
A organização deve apresentar as informações de maneira acessível e de fácil entendimento.
A organização deve selecionar, compilar e relatar informações de forma consistente para permitir uma análise das mudanças nos impactos da empresa ao longo do tempo e uma análise desses impactos em relação aos de outros negócios.
A organização deve fornecer informações suficientes para permitir uma avaliação dos impactos da organização durante o período do relatório.
A organização deve fornecer informações sobre seus impactos em um contexto mais amplo de desenvolvimento sustentável.
A organização deve relatar as informações em um cronograma regular e disponibilizá-las a tempo para que o público possa tomar decisões a partir delas.
A organização deve coletar, registrar, compilar e analisar informações de tal forma que os dados e o conteúdo possam ser examinados para estabelecer sua qualidade.
Para mais informações sobre os padrões e os princípios GRI, acesse o site da entidade e confira os recursos disponíveis.
Além da demanda dos consumidores por mais transparência em relação aos impactos socioambientais das marcas, as empresas também sofrem pressão de investidores, que cada vez mais querem entender como as organizações estão agindo diante dos desafios globais. Afinal, no mercado financeiro, a divulgação de informações relevantes sobre as ações das empresas é algo fundamental para guiar as decisões de executivos e investidores.
Levando em conta o cenário atual de mudanças climáticas e seus impactos nas organizações, para apoiar as empresas nesse sentido, o FSB (Financial Stability Board – em tradução livre, Conselho de Estabilidade Financeira) criou a Força-Tarefa de Divulgação Financeira Relacionada ao Clima (em inglês: Task Force on Climate-Related Financial Disclosures ou TCFD).
A TCFD estabelece recomendações para a divulgação de informações claras, comparáveis e consistentes sobre os riscos e oportunidades apresentados pelas mudanças climáticas.
As recomendações de publicações da TCFD giram em torno de quatro áreas: governança, estratégia, gestão de riscos e indicadores e metas.
A análise em todas essas áreas tem o objetivo de garantir que a consideração de questões relacionadas ao clima seja adequadamente incorporada em todos os processos de governança, estratégia e gerenciamento de risco da organização e refletida de forma transparente.
De acordo com a TCFD:
“A adoção dessas recomendações garantirá que os efeitos das mudanças climáticas sejam rotineiramente considerados nas decisões de negócios e investimentos. Além disso, essas recomendações também ajudarão as empresas a demonstrarem melhor sua responsabilidade e visão de futuro ao considerar as questões climáticas, o que levará a uma alocação de capital mais inteligente e eficiente, facilitando a transição para uma economia mais sustentável e de baixo carbono.”
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Estas são as quatro recomendações da TCFD que podem ser amplamente adotadas para divulgações financeiras relacionadas ao clima em organizações de todos os setores:
Divulgações recomendadas:
Divulgações recomendadas:
Divulgações recomendadas:
Divulgações recomendadas:
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O protocolo GHG é um pacote de padrões, orientações, ferramentas e treinamentos para que empresas e governos mensurem e gerenciem as emissões responsáveis pelo aquecimento global.
Esse protocolo indica que existem três principais escopos de emissões, que variam de acordo com a origem e o nível de controle dessas emissões.
Emissões de fontes que pertencem ou são controladas pela organização. Ou seja, encaixam-se aqui, por exemplo, as emissões de combustão em caldeiras, fornos, veículos da empresa ou por ela controlados, emissões da produção de químicos em equipamentos de processos que pertencem ou são controlados pela organização, emissões de sistemas de ar-condicionado e refrigeração, entre outros.
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Diz respeito às emissões provenientes da aquisição de energia elétrica e térmica que é consumida pela empresa. A energia adquirida é definida como sendo aquela que é comprada ou então trazida para dentro dos limites organizacionais da empresa.
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Engloba todas as outras emissões indiretas. As emissões do Escopo 3 são uma consequência das atividades da empresa, mas ocorrem em fontes que não pertencem ou não são controladas por ela.
Dentre as atividades de Escopo 3 estão, por exemplo:
Saiba mais: Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol
A iniciativa Science-based Targets (SBTi) – ou Metas Baseadas na Ciência – é um movimento global que fornece um caminho claramente definido para empresas e instituições financeiras reduzirem as emissões de gases de efeito estufa (GEE), ajudando a prevenir os piores impactos das mudanças climáticas e o crescimento sustentável dos negócios.
Metas podem ser consideradas “baseadas na ciência” se estiverem alinhadas com o que a ciência climática mais recente considera necessário para cumprir as metas do Acordo de Paris – limitando o aquecimento global a 1,5°C, prevenindo os piores efeitos das mudanças climáticas.
Ao incluir essas metas em sua gestão de sustentabilidade, a empresa mostra que está efetivamente comprometida em diminuir e/ou zerar suas emissões, contribuindo para evitar desastres climáticos resultantes do aquecimento global – sobre o qual o poder privado tem uma enorme responsabilidade.
Saiba mais: sciencebasedtargets.org
Um guia de tendências, cases e insights para empresas que buscam compreender as transformações nos negócios decorrentes da urgência climática e inovar a partir disso.
Desenvolver um relatório de sustentabilidade com responsabilidade, transparência e ética é um trabalho complexo, que exige dedicação e compromisso de longo prazo.
Empresas resilientes e preparadas para o futuro já sabem que medir e comunicar com clareza seus impactos não é apenas uma opção, mas o único caminho para se manter relevantes no mercado, conquistar a confiança dos stakeholders e, acima de tudo, garantir um futuro sustentável para todos.
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