Cobertura internacional

5 prioridades para promover mudanças sistêmicas

Estudo aponta proteção da biodiversidade e dos ecossistemas como principal prioridade para promover mudanças sistêmicas e acelerar a transição ecológica, e revela formas de avançar nessa e em outras quatro áreas

No fim de março, aconteceu em Paris o ChangeNOW, o maior evento de soluções que respondem aos principais desafios do nosso século.

João Guilherme Brotto, cofundador d’A Economia B, esteve na capital francesa para cobrir esta que foi a sétima edição do ChangeNOW.

Iniciamos essa nossa cobertura internacional trazendo os destaques do Earth Action Report, relatório produzido pelo ChangeNOW em parceria com a KPMG, que oferece uma análise detalhada dos desafios urgentes que enfrentamos, revela a interconexão entre eles e destaca a necessidade de uma abordagem holística para impulsionar mudanças sistêmicas.

→ O relatório completo, em inglês, está disponível aqui.

Caminhos para promover mudanças sistêmicas

De acordo com o Earth Action Report, as principais prioridades para promover mudanças sistêmicas e acelerar a transição ecológica e social são:

  1. Proteção da biodiversidade e dos ecossistemas;
  2. Aceleração da transição energética;
  3. Resiliência às mudanças climáticas;
  4. Redução das desigualdades sociais;
  5. Gestão sustentável dos recursos hídricos;
  6. Promoção da agricultura regenerativa;
  7. Aprimoramento da gestão de resíduos;
  8. Empoderamento feminino;
  9. Avanço dos direitos humanos;
  10. Melhoria dos hábitos alimentares;
  11. Controle da acidificação dos oceanos.

Apesar de mapear essas 11 áreas, o relatório se aprofunda nas cinco primeiras. 

Para cada uma delas, os mais de 100 especialistas que contribuíram com o estudo – membros da comunidade ChangeNOW provenientes de 20 países e diversos contextos – apresentam os principais desafios e recomendam ações práticas para acelerar o avanço nessas áreas. São essas sugestões que destacamos a seguir.

6 recomendações práticas para proteger a biodiversidade e os ecossistemas

Foto de Coralie Meurice na Unsplash
  1. Encerrar o desmatamento e iniciar a restauração de ecossistemas
  2. Promover práticas agrícolas regenerativas
    • Apoiar financeiramente a adoção de agroflorestas
    • Superar hábitos e barreiras culturais
  3. Aumentar e reforçar áreas protegidas, tomando medidas ativas para reduzir a poluição e reabilitar habitats naturais
  4. Implementar práticas e regulamentações de pesca sustentável para prevenir a sobrepesca, destruição de habitats e captura incidental em ecossistemas marinhos e de água doce
  5. Fomentar iniciativas de conservação lideradas pela comunidade
  6. Priorizar a saúde do solo para a estabilidade do ecossistema

“Há 40-50 anos, o solo era visto como um meio de produzir alimentos. Os agricultores estão começando a pensar de maneira diferente e a ver o solo como um amigo ou parceiro, porque sem solo, nós, como humanos, não podemos existir. Esse problema impacta bilhões de pessoas, pois mais de 95% de nossa comida depende do solo (FAO, 2022). Sem solo não podemos sobreviver.”
Azadeh Farajpour
Fundadora da BetterSoil for a Better World, Membro Associado do Club of Rome

Leia também:
Um chamado da Amazônia, “centro do mundo”, para um empreendedor e contador de histórias

6 recomendações práticas para acelerar a transição energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis

Foto de Karsten Würth na Unsplash
  1. Desenvolver uma abordagem regulatória mais rígida em relação à extração de combustíveis fósseis
  2. Alterar as regras do mercado financeiro para acelerar a transição energética
  3. Desenvolver uma cooperação internacional focada em energia
  4. Desenvolver eficiência energética e sobriedade
  5. Continuar a pesquisa sobre captura e armazenamento de carbono para armazenar o máximo de carbono possível
  6. Desenvolver educação e conscientização, especialmente em torno de soluções de baixa tecnologia

Leia também:
Grandes empresas, pequenos exemplos

5 recomendações práticas para reforçar a resiliência e adaptação às mudanças climáticas

Foto de Chris Gallagher na Unsplash
  1. Preparar cidades para condições climáticas extremas
  2. Adaptar agricultura e cadeia de suprimentos de alimentos, dos produtores aos consumidores
  3. Adaptar o sistema tributário e fortalecer o sistema de seguros
  4. Construir um compromisso político e público
  5. Equipar organizações com ferramentas para avaliar e gerenciar riscos climáticos.

No que diz respeito a essa última recomendação, Jean-Philippe Courtois, Vice-Presidente Executivo e Presidente de Parcerias de Transformação Nacional na Microsoft Corp, destaca que para gerenciar os riscos de adaptação às mudanças climáticas da maneira mais eficaz possível, as organizações precisam avaliar cenários climáticos e, portanto, riscos climáticos.

Isso requer o uso de ferramentas dedicadas e tecnologia avançada, por exemplo por meio da construção de modelos de previsão para enchentes ou condições climáticas, a fim de minimizar os riscos e os custos das mudanças climáticas”, aponta.

Leia também:
Projeto Gaia: inteligência artificial na análise de riscos financeiros relacionados ao clima

2 recomendações práticas para reduzir as desigualdades sociais

Foto de Elyse Chia na Unsplash
  1. Fornecer acesso universal a serviços essenciais
    • Combater a precariedade energética
    • Incentivar o acesso a alimentos nutritivos
    • Desenvolver transporte inclusivo
    • Melhorar o acesso à saúde
  2. Incentivar políticas de redistribuição entre países, dentro dos países e dentro das empresas

“Não podemos fazer a transição sem ter resolvido questões sociais. No entanto, as mudanças climáticas exacerbam as desigualdades. Isso requer mudanças sociais significativas, como reformar nosso sistema tributário.”
Brune Poirson
Ex-Secretária de Estado no Ministério Francês da Transição Ecológica e Diretora de Desenvolvimento Sustentável na Accor

Leia também:
Não há desenvolvimento sustentável sem redução das desigualdades (ODS 10)

4 recomendações práticas para melhorar a gestão de recursos hídricos

Foto de Ivan Bandura na Unsplash
  1. Fornecer maior visibilidade às Soluções Baseadas na Natureza (SBN)
  2. Investir em infraestruturas de gerenciamento circular da água
  3. Fomentar parcerias e transparência
  4. Defender uma legislação de gerenciamento de resíduos mais responsável

Leia também:
O problema da falta de água e saneamento e o papel do poder privado

Nas próximas semanas, compartilharemos aqui os debates promovidos no ChangeNOW e algumas das soluções apresentadas no evento que mostram que muitas dessas recomendações já foram transformadas em iniciativas que vêm ajudando a promover mudanças sistêmicas.


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Redação A Economia B

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