Entenda o que são pessoas B, conheça as cinco dimensões da pessoa B e saiba qual é o papel desses indivíduos dentro das empresas
Em um ambiente de negócios cada vez mais transparente, é possível notar uma onda crescente de marcas se posicionando politicamente, chegando até a ser ativistas, enquanto outras ainda não se atentaram para uma realidade em que não são mais detentoras das histórias que contam.
Nesse contexto, ações incoerentes com o discurso ou inações diante de absurdos não poderão mais ser facilmente acobertadas.
Há alguns dias, teve grande repercussão a denúncia de que uma loja da Zara em Fortaleza (CE) emite um alerta aos seguranças sempre que entra uma pessoa negra ou de aparência simples. A Zara, vale lembrar, admitiu, em 2014, a ocorrência de práticas análogas à escravidão em sua cadeia de produção.
A rede de fast fashion faz parte do grupo Inditex, um dos maiores do mundo no setor. No site da empresa há muito sobre a estratégia ESG e o quanto se preocupam com stakeholders. Nota-se que há um esforço para construir uma narrativa de marca aderente às atuais demandas do mercado e dos consumidores. Mas e quando a estratégia de comunicação não se sustenta na realidade?
À medida que a crise climática e a desigualdade social se agravam, é nítido o movimento de empresas buscando se adaptar e entender seu papel nesse cenário.
A Inditex, por exemplo, faz questão de dizer em seu site que está preocupada com questões maiores do que produzir e vender roupas. Porém, ainda que partamos do princípio de que ela de fato tenha uma agenda ESG genuína, como sustentar isso na ponta final e evitar episódios como o de Fortaleza?
O caso evidencia que a cultura comunicada nos canais oficiais do grupo não chega na ponta final. Com isso, o discurso derrete, a repercussão na mídia desafia os mais preparados gestores de crise e a condenação por ter trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva volta a circular nas redes sociais.
“As empresas cresceram numa economia de acionistas e estão migrando para uma economia de stakeholders. Todo esse trabalho não é como girar um volante de carro, mas mudar o curso de um navio. Tem que ir trabalhando aos poucos”, aponta Paulo Cruz Filho, empreendedor social, empresário B, facilitador, consultor e palestrante sobre impacto social e liderança integral.
Estamos falando de um novo ambiente de negócios, que vem sendo construído a partir de novas demandas de novos consumidores (não necessariamente jovens) e de necessidades antigas de correção de um sistema que é falho por ser baseado no individualismo, na meritocracia e em promover desigualdades e desequilíbrios ao negligenciar as pessoas e o planeta.
Paulo é co-fundador da We.Flow, empresa B que ajuda pessoas e organizações a se tornarem mais conscientes por meio de treinamentos, consultorias e experiências.
Ele afirma que estamos na era do ampliar da consciência coletiva, que, “além de promover questionamentos dentro das organizações, gera inquietações individuais”, alerta.
Segundo Paulo, essa é a próxima onda nos negócios, na esteira do boom ESG.
“Por que cobramos que as empresas sejam genuínas? É um espelhamento. Se enxergamos que empresas não estão sendo verdadeiras, e as pessoas? E eu? O quanto minha presença é positiva e útil?
Quando começamos a aprofundar essa questão, chegamos ao próximo nível, que é mais avançado e muito mais vinculado à questão existencial e até espiritual. Qual é a razão da minha existência e a da minha empresa? O quanto contribuímos para a evolução da humanidade?
A partir disso, entra-se num campo que pode parecer distante da realidade da maioria das organizações, mas como fazemos o cruzamento entre expansão de consciência, espiritualidade e negócios e geramos impacto positivo?”, provoca.
Fora da bolha de pessoas que não só acreditam que é possível, mas de fato constroem empresas visando algo maior que o lucro, ainda há muita resistência a essa expansão da consciência.
A Lei da Difusão da Inovação, apresentada por Everett Rogers no livro Diffusion of innovations, em 1952, ajuda a entender esse fenômeno natural no ambiente de negócios. Em resumo: o grupo de entusiastas e visionários chega antes e, depois do Abismo, na esteira do efeito manada, vem a maioria. Muitas vezes, vale dizer, tarde demais.
A história da inovação empresarial está recheada de casos que exemplificam a teoria. Um deles é a corrida da transformação digital, que teve um episódio à parte em 2020, em razão da pandemia.
Quantas empresas penaram para adequar estruturas para uma nova realidade na forma de trabalhar? Quantas perderam oportunidades por não terem uma presença digital estratégica quando o mundo parou?
Por outro lado, as organizações entusiastas e visionárias da era digital saíram na frente, se fortaleceram e ganharam mercado. “A questão do impacto é a mesma coisa. Existe uma porta que ainda não foi aberta, você acha que não tem nada atrás, então abre e vê um mercado bilionário que nunca havia olhado. Desculpa dizer, mas você está perdendo uma oportunidade gigantesca e já está atrasado”, alerta Paulo.
Na jornada da We.Flow, somada à experiência de Paulo junto a empresas B do mundo todo – ele ocupa o cargo de MNC (Multinationals) Program Manager no B Lab, onde trabalha com multinacionais interessadas em obter a certificação B –, uma dor comum entre as lideranças foi percebida…
Há relatos recorrentes, mesmo entre empresas B certificadas, de não sentirem o ‘ar B nos corredores’. Dizem que as boas práticas existem, mas a cultura ainda não está consolidada. “Em alguns casos, isso decorre da não consciência de um líder com mais poder de influenciar a cultura”, explica.
Foi dentro desse contexto que a We.Flow criou ‘Pessoa B’, um programa de treinamento “desenvolvido com a intenção profunda de servir ao desenvolvimento pessoal e coletivo daqueles que buscam uma jornada genuína de autoconhecimento e transformação em direção a cada vez mais se tornar a mudança que desejamos ver no mundo”.
O Pessoa B é inspirado no processo de certificação de empresas B. Os 5 pilares do B Impact Assessment (BIA), plataforma que conduz o processo inicial da empresa postulante à certificação, foram adaptados para dialogar com pessoas físicas.
“Percebemos que as culturas organizacionais não evoluem quando as pessoas não entendem o papel delas enquanto indivíduos”, explica Paulo. Exemplos como o da Zara em Fortaleza atestam essa distância entre o que a marca comunica e como as coisas realmente acontecem.
O Pessoa B identifica o nível de consciência, a identidade e a cultura de indivíduos e coletivos dentro de uma organização. Com o mapeamento feito, é possível entender as desconexões pessoais e do grupo com as pautas da empresa e, assim, fortalecer conexões e o citado ‘ar B nos corredores’.
Apesar de o programa Pessoa B ser conduzido pela We.Flow, Paulo reforça que, sobretudo, essa é uma jornada de autoconhecimento.
Enquanto essas ideias podem soar distantes do dia a dia corporativo da maioria das organizações – ainda regidas a partir do lucro acima de todos –, a Teoria da Difusão da Inovação ajuda a ligar o alerta aos pragmáticos, conservadores e céticos – que estão no pós-abismo da teoria e representam 84% do mercado.
Pautas antes invisíveis e distantes do mercado passaram a importar e a ditar regras e tendências. “Agora é possível realizá-las, e as pessoas falam que isso conversa com o coração delas. Podem acessar o que sentiam e criar uma inovação que gere um impacto positivo. Esse é um fenômeno real de ampliação da consciência da humanidade. Teremos uma grande transformação na economia nos próximos cinco anos conectada com isso”, finaliza.
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