Saiba como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável* Erradicação da Pobreza e Fome Zero e Agricultura Sustentável estão evoluindo no mundo
Pobreza e fome são problemas diretamente interligados. Afinal, quanto mais pobre é a população, menos acesso ela tem à alimentação saudável e mais vulnerável está para a desnutrição.
No Brasil, por exemplo, o valor da cesta básica varia entre R$ 325 e R$ 470. Isso significa que 13,5 milhões de brasileiros que vivem na extrema pobreza não têm a mínima condição de adquirir os alimentos mais básicos.
Além disso, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais um fator deve ser levado em conta nessa questão: a agricultura. “Garantir a segurança alimentar para todos é tanto uma função-chave quanto um desafio para a agricultura. À medida que a população aumenta e a urbanização se intensifica, o setor agrícola sofre maior pressão para atender a demanda por alimentos nutritivos”, destaca José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Essas, aliás, são as questões base dos dois primeiros objetivos 1 e 2 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, que dizem respeito à erradicação da pobreza e da fome e à promoção de uma agricultura mais sustentável.
A seguir, saiba como esses dois ODS vêm evoluindo no mundo e entenda como o setor privado pode ajudar a resolver esses problemas da humanidade.
Este conteúdo faz parte da série Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – 10 anos para mudar o mundo. Para ler o primeiro artigo, clique aqui.
O status de “extrema pobreza” é utilizado para classificar famílias que vivem com menos de US$ 1,90 per capita por dia (ou renda mensal per capita inferior a R$ 145).
A boa notícia é que, globalmente, o número de pessoas nessa situação vem caindo nos últimos anos.
– Em 2015, 10% da população mundial (cerca de 733 milhões de pessoas) viviam em extrema pobreza.
– Em 2018, esse índice caiu para 8,6%, segundo a ONU.
– A projeção é que, até 2030, 6% da população global ainda viva nessa condição.
Uma diminuição considerável, é verdade. Porém, não suficiente para alcançar a erradicação da pobreza extrema, proposta pelo objetivo número um da Agenda 2030.
Segundo um levantamento do IBGE, em 2018:
– O número de brasileiros vivendo nessas circunstâncias chegou a 13,5 milhões – maior nível de pobreza extrema em sete anos.
– Em 2012, 5,8% da população vivia nesse contexto e, em 2018, a parcela de famílias vivendo com menos de R$ 145 per capita por mês saltou para 6,5%.
Além da pobreza extrema, o IBGE também considera na condição de “pobreza” famílias com rendimento mensal domiciliar entre R$ 145 e R$ 420 per capita.
O grupo de pessoas nessa conjuntura também aumentou nos últimos anos. “A partir de 2015, com a crise econômica e política e a redução do mercado de trabalho, os percentuais de pobreza passaram a subir, com pequena queda em 2018, que não chega a ser uma mudança de tendência”, aponta o analista do IBGE Pedro Rocha de Moraes.
Atualmente, um quarto da população brasileira (52,5 milhões de pessoas) vive na condição de pobreza – e 73% deste grupo é composto por cidadão pretos ou pardos.
Nessa área, o panorama não melhora muito, já que o número de pessoas afetadas pela fome vem crescendo nos últimos anos.
– Em 2014, 784 milhões de pessoas sofriam com desnutrição em todo o mundo.
– Em 2017, esse número saltou para 821 milhões – 11% da população global.
E ainda, o número de crianças abaixo de cinco anos com problemas de desenvolvimento por conta de desnutrição vem caindo – mas não na velocidade ideal.
– No ano 2000, 33% da população global infantil era afetada por esse problema. Cinco anos depois, 22% ainda tinham seu crescimento prejudicado por conta da falta de uma alimentação correta.
– Entre 2004 e 2006, 4,6% do povo brasileiro era afetado pela fome;
– Entre 2016 e 2018, esse índice caiu para 2,5% – o que significa que ainda temos cerca de cinco milhões de pessoas sem segurança alimentar no país.
A boa notícia é que segundo o Índice Global da Fome, o Brasil saiu de uma situação “moderada” no que se refere à fome, em 2000, para um nível de vulnerabilidade baixo em relação a esse problema, em 2019.
O relatório aponta também que, globalmente, é possível perceber uma tendência na diminuição do número de países com níveis de fome “sérios”; “alarmantes” ou “extremamente alarmantes”. Com base nos movimentos dos últimos anos, os autores do estudo projetam que aproximadamente 45 países poderão alcançar níveis baixos de fome até 2030.
De acordo com a ONU, um dos caminhos para resolver o problema da fome passa por investir na promoção de uma agricultura mais sustentável.
Nesse sentido, a organização destaca que “capacitar os pequenos produtores de alimentos a participarem plenamente do desenvolvimento é fundamental para melhorar a segurança alimentar e reduzir a pobreza e a fome”.
O Brasil tem um enorme potencial de contribuir nessa frente, já que a agricultura familiar – de pequeno e médio porte – é predominante no país.
– Cerca de 70% dos alimentos distribuídos entre os brasileiros vêm dos pequenos agricultores.
– O Censo Agro 2017 aponta que 77% dos estabelecimentos agrícolas do país são classificados como “agricultura familiar”.
– O setor é responsável por empregar mais de 10 milhões de pessoas. Ou seja, mais da metade (67%) da população brasileira empregada na agricultura atua nesse modelo de produção familiar.
– No Agriculture Orientation Index (AOI), que mede a parcela dos gastos do governo em agricultura, o Brasil é classificado com a pontuação de 0,18 – o que indica baixa orientação para a agricultura. Para se ter uma ideia, na Alemanha esse índice é de 6,65.
Essa é também uma tendência mundial. Globalmente, o gasto dos governos em agricultura caiu cerca de 37% entre 2001 e 2017 – o que vai contra ao objetivo número dois da Agenda 2030, de “aumentar o investimento em infraestrutura rural, inclusive via reforço da cooperação internacional, para aumentar a capacidade de produção agrícola nos países em desenvolvimento, em particular nos países menos desenvolvidos.
Os dados mostram que ainda há um longo caminho pela frente para que seja possível resolver estes problemas globais tão importantes. Mas para atingir esses dois objetivos da Agenda 2030 – erradicação da pobreza e da fome – além da ação dos governos, a sociedade civil e o setor privado também precisam agir.
As empresas devem assumir a responsabilidade nesse desafio, seja contribuindo diretamente para essas causas, ou mesmo fazendo sua parte para que suas próprias operações não agravem essas questões (oferecendo, por exemplo, condições de trabalho dignas e justas, que promovam saúde, bem-estar e segurança alimentar para seus funcionários).
Aliás, segundo um estudo global da consultoria Edelman, ficou claro que grande parte dos consumidores confia mais nas empresas do que nos governantes para agir em relação a problemas sociais:
– 49% dos entrevistados disseram que as marcas podem fazer mais para resolver essas questões do que o poder público.
– 48% afirmaram que é mais fácil mobilizar empresas do que sensibilizar governantes.
Confira a seguir alguns exemplos de organizações que já estão atuando nesse sentido.
A entidade atua em parceira com ONGs em diversas regiões do mundo para combater a pobreza e promover o desenvolvimento de comunidades. Além disso, para garantir que sua própria operação contribua para dar melhores condições de vida para seus parceiros, a Cotopaxi se compromete em promover condições de trabalho éticas e justas para todos os envolvidos no design e na produção dos produtos.
Saiba mais!
cotopaxi.com
Um case citado pela BSR nesse sentido é a empresa de serviços digitais Sutherland, que desenvolve programas de capacitação para indivíduos vivendo em áreas pobres e isoladas. Na Jamaica, por exemplo, onde o desemprego entre os jovens geralmente varia entre 18 e 22%, a organização criou Centros de Empoderamento Digital que oferecem treinamento digital para jovens adultos em comunidades de risco.
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sutherlandglobal.com/about-us/social-impact
Pensando em alinhar essa questão, a empresa Cooks who Feeds desenvolve parcerias com organizações focadas em diminuir o desperdício de comida para alimentar pessoas que sofrem com a fome. A empresa vende aventais culinários e reverte os lucros nessas ações, com o compromisso de que cada avental vendido será convertido em 100 refeições.
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cookswhofeed.com
A empresa distribui alimentos vindos de fazendas locais para restaurantes, varejistas e outros negócios de alimentação no Canadá. A missão da organização é conectar produtores locais com a demanda na região, ajudando os agricultores a terem acesso a grandes mercados urbanos.
Saiba mais!
100kmfoods.com
Saiba mais!
myfarm.co.jp
Bons exemplos, não é mesmo?
Que eles sirvam para inspirá-lo a encontrar formas de fazer a diferença e contribuir com a erradicação da pobreza e alcançar o objetivo da fome zero no mundo!
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Iniciativas da ONU em relação aos objetivos 1 e 2 da Agenda 2030:
– Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola – fida.org.br
– Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – fao.org/brasil
– Centro de Excelência contra Fome do Programa Mundial de Alimentos – wfp.org.br
The Sustainable Development Goals Report2019
Sustainable Development Goals Tracker
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