ESG

O poder da bioeconomia para gerar empregos e preservar a Amazônia

O potencial da bioeconomia no Pará
Foto de Kawê Rodrigues na Unsplash

Segundo levantamento, investimento de R$ 720 milhões em bioeconomia pode gerar R$ 816 milhões no PIB e 6,5 mil empregos no Pará

À medida que a crise climática se intensifica e a Amazônia se aproxima do ponto de não retorno – ou seja, o momento em que o desmatamento acumulado pode comprometer a regeneração do bioma e alterar de forma irreversível seu funcionamento –, cresce o consenso de que preservar a floresta é uma estratégia econômica, especialmente para os países e comunidades que dependem diretamente de seus serviços ecossistêmicos.

Nesse cenário, a bioeconomia baseada na sociobiodiversidade (que engloba atividades produtivas baseadas no uso de recursos naturais renováveis da floresta, respeitando os saberes locais e os limites ecológicos do território) desponta como uma alternativa concreta de desenvolvimento sustentável. Inclusive, produtos como açaí, castanha-do-Pará, mel de abelhas nativas e borracha de seringueira já movimentam cerca de R$ 9 bilhões no Pará e ajudam a sustentar milhares de pequenos produtores e empreendedores na região. 

Apesar dessa relevância, porém, a bioeconomia ainda é marcada por altos níveis de informalidade e baixa visibilidade nos dados oficiais, dificultando o planejamento de políticas públicas e o acesso a financiamentos. 

Essas conclusões fazem parte do estudo “Impactos econômicos dos investimentos em bioeconomia no Pará”, publicado pelo WRI Brasil em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA).

O que diz o estudo

O estudo analisou o impacto econômico de investimentos em 13 produtos da sociobioeconomia e identificou entre R$ 1,7 bilhão e R$ 1,8 bilhão em recursos climáticos já captados, em negociação ou com potencial de captação. Desse total, cerca de R$ 720 milhões poderiam ser direcionados para ações de bioeconomia. Os efeitos estimados desse investimento incluem:

Potencial da bioeconomia no Pará

Além dos impactos diretos, o estudo também destacou os efeitos multiplicadores desses investimentos. 

Para cada real investido na produção, estima-se um retorno de R$ 1,14 em produção, R$ 1,27 na indústria e R$ 1,40 no comércio. Como a análise se restringiu a 13 cadeias produtivas, o potencial completo da bioeconomia na região pode ser ainda maior – sobretudo se considerados os ganhos com inovação tecnológica e os produtos que não se destinam diretamente ao mercado.

Desafios e caminhos para a bioeconomia

O estudo também aponta desafios que precisam ser enfrentados para que a bioeconomia se expanda, como a ausência de um ambiente regulatório robusto, a necessidade de instrumentos financeiros adaptados à realidade amazônica e a pressão exercida por atividades como mineração e agronegócio sobre territórios sensíveis. Outro ponto relevante é o potencial das compras públicas para fortalecer a demanda por produtos da bioeconomia e consolidar mercados locais.

Por fim, com um ambiente institucional em construção e recursos financeiros já identificados, o levantamento reforça que o momento para impulsionar a bioeconomia na Amazônia é agora.

O estudo conclui que estruturar políticas integradas, ampliar os investimentos e melhorar a rastreabilidade das cadeias produtivas são passos fundamentais para alavancar o setor e garantir que os benefícios econômicos e sociais cheguem às populações que mantêm a floresta em pé.

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