Segundo levantamento, investimento de R$ 720 milhões em bioeconomia pode gerar R$ 816 milhões no PIB e 6,5 mil empregos no Pará
À medida que a crise climática se intensifica e a Amazônia se aproxima do ponto de não retorno – ou seja, o momento em que o desmatamento acumulado pode comprometer a regeneração do bioma e alterar de forma irreversível seu funcionamento –, cresce o consenso de que preservar a floresta é uma estratégia econômica, especialmente para os países e comunidades que dependem diretamente de seus serviços ecossistêmicos.
Nesse cenário, a bioeconomia baseada na sociobiodiversidade (que engloba atividades produtivas baseadas no uso de recursos naturais renováveis da floresta, respeitando os saberes locais e os limites ecológicos do território) desponta como uma alternativa concreta de desenvolvimento sustentável. Inclusive, produtos como açaí, castanha-do-Pará, mel de abelhas nativas e borracha de seringueira já movimentam cerca de R$ 9 bilhões no Pará e ajudam a sustentar milhares de pequenos produtores e empreendedores na região.
Apesar dessa relevância, porém, a bioeconomia ainda é marcada por altos níveis de informalidade e baixa visibilidade nos dados oficiais, dificultando o planejamento de políticas públicas e o acesso a financiamentos.
Essas conclusões fazem parte do estudo “Impactos econômicos dos investimentos em bioeconomia no Pará”, publicado pelo WRI Brasil em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA).
O que diz o estudo
O estudo analisou o impacto econômico de investimentos em 13 produtos da sociobioeconomia e identificou entre R$ 1,7 bilhão e R$ 1,8 bilhão em recursos climáticos já captados, em negociação ou com potencial de captação. Desse total, cerca de R$ 720 milhões poderiam ser direcionados para ações de bioeconomia. Os efeitos estimados desse investimento incluem:
Além dos impactos diretos, o estudo também destacou os efeitos multiplicadores desses investimentos.
Para cada real investido na produção, estima-se um retorno de R$ 1,14 em produção, R$ 1,27 na indústria e R$ 1,40 no comércio. Como a análise se restringiu a 13 cadeias produtivas, o potencial completo da bioeconomia na região pode ser ainda maior – sobretudo se considerados os ganhos com inovação tecnológica e os produtos que não se destinam diretamente ao mercado.
Desafios e caminhos para a bioeconomia
O estudo também aponta desafios que precisam ser enfrentados para que a bioeconomia se expanda, como a ausência de um ambiente regulatório robusto, a necessidade de instrumentos financeiros adaptados à realidade amazônica e a pressão exercida por atividades como mineração e agronegócio sobre territórios sensíveis. Outro ponto relevante é o potencial das compras públicas para fortalecer a demanda por produtos da bioeconomia e consolidar mercados locais.
Por fim, com um ambiente institucional em construção e recursos financeiros já identificados, o levantamento reforça que o momento para impulsionar a bioeconomia na Amazônia é agora.
O estudo conclui que estruturar políticas integradas, ampliar os investimentos e melhorar a rastreabilidade das cadeias produtivas são passos fundamentais para alavancar o setor e garantir que os benefícios econômicos e sociais cheguem às populações que mantêm a floresta em pé.
Leia também:
Um chamado da Amazônia, “centro do mundo”, para um empreendedor e contador de histórias
Conheça a nossa plataforma de curadoria e treinamento B2B sobre impacto, ESG e regeneração
O Farol da Economia Regenerativa é uma solução de curadoria de conteúdo sobre ESG, sustentabilidade, impacto e regeneração. Funciona como um programa de aprendizado contínuo e é planejado sob medida para sua equipe e organização.
O Farol oferece palestras, treinamentos, notícias, tendências, insights, coberturas internacionais e uma curadoria exclusiva para a sua organização e seu time navegarem pelos temas mais urgentes da nossa era. Conheça o Farol e entre em contato para agendarmos uma conversa.