Imagem: Johnny Miller
Entenda o panorama global do crescimento das desigualdades e saiba como o desequilíbrio socioeconômico impede o progresso do desenvolvimento sustentável
É surreal pensar que enquanto 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza extrema durante a pandemia, ao mesmo tempo, a cada dia surgiu um novo bilionário no mundo. Além disso, desde 2020, enquanto a renda de 99% da humanidade caiu severamente, a riqueza dos 10 homens mais ricos dobrou!
É fato que a Covid-19 expôs clara e diretamente o imenso contraste social e econômico presente em todo o globo. Aliás, mais do que isso, ela agravou essas desigualdades. Estimativas apontam que a crise gerada pela pandemia fez com que de três a quatro anos de progresso em relação à erradicação da pobreza fossem perdidos.
O desequilíbrio na forma como grandes crises afetam diferentes parcelas da população pode ser percebido de várias maneiras e em diferentes contextos:
E tudo isso, infelizmente, não chega nem perto de esgotar todos os problemas e consequências da desigualdade social e econômica crescente.
Leia também: Como a pandemia de Covid-19 impacta na erradicação da pobreza (ODS 1)
Do ponto de vista histórico, as desigualdades globais são tão grandes hoje quanto no auge do imperialismo ocidental no início do século XX. Aliás, a renda da metade mais pobre da população mundial é cerca de duas vezes menor hoje do que em 1820.
A verdade é que a equação se repete ao longo dos anos. Ou seja, os mais ricos detêm mais poder – e, portanto, ficam cada vez mais ricos –, enquanto pessoas pobres e de grupos vulneráveis têm pouca ou nenhuma oportunidade para se mobilizar socialmente, fazendo com que a pobreza perdure por gerações.
O relatório World Inequality 2022 traz alguns dados que refletem com clareza essa segregação socioeconômica resultante de uma distribuição extremamente desigual de riqueza e renda. Segundo o estudo:
De fato, essa é uma diferença assustadora. Porém, é importante lembrar que esses dados mostram a média global. Ou seja, o contraste entre diferentes países é ainda maior.
Analisando as médias de rendimento dentro de diferentes regiões é possível entender com mais clareza o tamanho da desigualdade. O Brasil, por exemplo, é um dos países com piores distribuição de renda no mundo.
Em termos de comparação, na Suécia, um dos países menos desiguais do mundo, os 10% mais ricos da população ganham pouco mais de 30% da renda nacional total e os 50% mais pobres recebem quase 24% da renda nacional.
Leia também: Como o aumento do desemprego afeta a Agenda 2030 e a evolução do ODS 8
Com mais de 30 milhões de casos diagnosticados, o Brasil é o país mais afetado pela Covid-19 na região da América Latina e Caribe e o terceiro em todo o mundo. No entanto, os impactos da crise social e econômica gerados pela pandemia no Brasil não atingiram a todos da mesma maneira.
Segundo o relatório Pobreza e Equidade no Brasil, desenvolvido pelo Banco Mundial, a parcela mais pobre da população brasileira sentiu mais duramente as consequências econômicas negativas da pandemia. O estudo aponta que:
Por fim, outro aspecto que indica como a crise gerada pela Covid-19 contribuiu para o aumento das desigualdades no Brasil é o aumento do número de brasileiros vivendo com fome.
Leia também: O agravamento da insegurança alimentar no Brasil e o papel das empresas no combate à fome
A desigualdade impacta a sociedade de tantas maneiras que não é possível falar em desenvolvimento sustentável sem tratar das desigualdades que assolam grande parte da população.
Não é à toa que dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), onze estão relacionados a algum tipo de desigualdade e trazem metas para gerar mais equidade e inclusão. São eles: objetivos 1, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 16 e 17.
Além disso, direta e indiretamente, a desigualdade impede o avanço da maioria dos objetivos da Agenda 2030, ao mesmo tempo em que agrava alguns problemas que os ODS propõem resolver. Entenda:
Ainda que esse seja um tema que permeia toda a Agenda 2030, há um ODS que trata de maneira direta a desigualdade: é o Objetivo 10, que visa reduzir as desigualdades no interior dos países e entre eles.
Esse ODS aborda questões como as desigualdades de riqueza e renda, a regulação dos mercados financeiros globais e os desequilíbrios de poder na governança global.
Como os dados desse artigo indicam, as desigualdades globais estão em péssimo estado. De maneira geral, essa é uma questão que tem piorado nos últimos anos, especialmente por conta da Covid-19 e de outros fatores econômicos e políticos. Ou seja, estamos longe de alcançar os ODS 10.
No Brasil, um país historicamente já bastante desigual, o cenário é bastante ruim, e o ODS 10 também parece estar travado.
O poder privado tem um papel muito importante na redução das desigualdades. Afinal, as empresas influenciam nos níveis de desigualdades das seguintes maneiras:
➔ Enquanto isso, leia os artigos já publicados nessa série ODS para entender o progresso da Agenda 2030. Acompanhe a série e conheça empresas que estão fazendo seu papel para garantir um futuro mais justo, inclusivo e sustentável.
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