Foto: Leo Correa/Associated Press
Conheça cinco ONGs que se dedicam a proteger a Mata Atlântica e saiba como apoiar causas e projetos focados na preservação desse importante bioma brasileiro
A Mata Atlântica é a floresta com maior diversidade de plantas no mundo e considerada uma das áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade do planeta. Além disso, abriga 70% da população brasileira (inclusive, 61% da área urbana do Brasil se encontra neste bioma) e responde por 80% da economia nacional. Porém, ao mesmo tempo, é o bioma mais devastado e ameaçado do País!
Ao longo de sua história, a Mata Atlântica perdeu 115 milhões dos seus 131 milhões de hectares de florestas. Ou seja, atualmente, restam apenas 12,4% da vegetação original.
Promover ações para preservar e regenerar esse bioma é uma missão importante não só do ponto de vista sustentável, como também social e econômico. Mais do que isso, deveria ser uma missão de TODOS nós!
A seguir, entenda melhor a importância da Mata Atlântica para a construção de um futuro mais sustentável. Além disso, conheça ONGs que têm como missão preservar esse tesouro nacional e saiba como apoiá-las.
Você sabia? Em 27 de maio de 1560, Padre Anchieta assinou a Carta de São Vicente. Este foi o primeiro documento descrevendo a beleza e a biodiversidade das florestas brasileiras. Com objetivo de conscientizar a sociedade sobre a importância da preservação desse bioma brasileiro, em 1999 a data foi ofic cializada como o Dia Nacional da Mata Atlântica. |
O mais recente relatório do Mapbiomas, que analisa dados sobre o uso da terra no Brasil, indica que, entre 1985 e 2020, 69% do território da Mata Atlântica foi alterado por conta da intervenção humana.
Além disso, nesse período, perdemos uma média de 30 mil hectares de florestas da Mata Atlântica por ano, por conta do uso agropecuário e da construção de cidades e estradas.
O relatório Mapbiomas aponta ainda que, nas últimas 3,5 décadas, houve uma perda líquida de 1 milhão de hectares de Mata Atlântica, resultado da perda de 10 milhões de hectares de florestas maduras e da regeneração de 9 milhões de hectares de florestas jovens.
A eliminação de florestas mais antigas na Mata Atlântica impacta diretamente no bioma da região. Afinal, muitas espécies de animais, plantas e microorganismos dependem de habitats mais maduros e menos alterados para persistirem.
“Diferentemente de áreas de floresta madura, que já estocam muito carbono e biodiversidade, as florestas em restauração levam muitos anos ou mesmo décadas para chegarem a níveis similares de benefícios. Em muitos casos, isso nem chega a ocorrer porque elas são degradadas ao longo do processo, por queimadas, pela invasão de espécies exóticas e outras intercorrências. Nem sempre o que se perde pode ser recuperado”, adverte o engenheiro-agrônomo Pedro Brancalion, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP.
Uma análise feita por Renato Lima, ecólogo da Universidade de São Paulo (USP), indica que os remanescentes da Mata Atlântica já perderam de 23% a 42% de sua biodiversidade e de seus estoques de carbono florestal.
Mais de 83% dos levantamentos de campo realizados para a pesquisa indicaram perdas de biomassa e de diversidade de árvores, causadas por atividades humanas como, por exemplo, a extração seletiva de madeira e a introdução de espécies exóticas.
Acabar com a exploração dessa floresta, promover a recuperação do bioma nativo e viabilizar a criação de sistemas mais ambientalmente responsáveis na Mata Atlântica é fundamental para o desenvolvimento sustentável no Brasil.
A boa notícia é que já existem diversos movimentos e organizações que trabalham com esse propósito, com projetos de proteção e amparo à Mata Atlântica. Caso, por exemplo, das cinco ONGs que apresentamos a seguir. Elas atuam nas áreas de conservação, proteção e educação ambiental, e possuem projetos específicos na Mata Atlântica. Conheça um pouco do trabalho de cada uma e entenda como é possível apoiá-las.
A missão da SPVS é trabalhar pela conservação da natureza por meio da proteção de áreas nativas, de ações de educação ambiental e do desenvolvimento de modelos para o uso racional dos recursos naturais.
Desde 1990, a SPVS realiza um trabalho de proteção permanente de mais de 19 mil hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica, em três reservas naturais nos municípios de Antonina e Guaraqueçaba, no litoral do Paraná. Essas reservas estão dentro da Grande Reserva Mata Atlântica da SPVS e fazem parte do maior remanescente contínuo do bioma Mata Atlântica.
O novo projeto na instituição – “Mata Atlântica, das encostas às áreas alagadas” – visa dar continuidade aos trabalhos de preservação promovidos pela SPVS nas Reservas Naturais da instituição.
Em dois anos, ao todo, 720,8 hectares de vegetação serão restaurados em áreas de RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) e 165.5 hectares em regiões do entorno. Esse número representa a área de quase mil campos de futebol.
Além disso, dez mil metros quadrados serão transformados em agrofloresta – o sistema de produção agrícola que combina o cultivo de variados alimentos para consumo e comercialização com o plantio de árvores e arbustos de espécies nativas.
Reginaldo Ferreira, coordenador geral do projeto, reforça que as ações de restauração não visam retorno econômico. “A proposta tem como finalidade principal a recuperação da vegetação nativa, promovendo a captura do carbono da atmosfera, contribuindo com a mitigação e adaptação às mudanças do clima e a melhoria ambiental, visando a conservação da biodiversidade”, destaca.
Para saber mais sobre o trabalho da SPVS e entender como apoiar esse novo projeto voltado à preservação da Mata Atlântica, acesse o site da ONG.
Esta ONG atua na promoção de políticas públicas para a conservação da Mata Atlântica por meio de:
Para cumprir a missão de defender o bioma, a organização tem projetos em prol da recuperação da floresta, da valorização dos parques e reservas, do acesso à água limpa e da proteção do mar.
Com mais de três décadas de atuação, a Fundação SOS Mata Atlântica
Além disso, a partir de fundos arrecadados com doações e parcerias, a fundação já investiu R$ 15 milhões em parques e reservas na Mata Atlântica.
Entre os principais impactos da ONG, destacam-se:
Todo o trabalho de monitoramento e restauração do bioma pode ser acompanhado nos relatórios publicados pela SOS Mata Atlântica.
Para saber mais sobre os projetos desenvolvidos pela fundação nas áreas de proteção e recuperação da floresta, das águas e do mar, e entender como ser parceiro desta causa, acesse o site da ONG.
Esta é uma Organização Social de Interesse Público (OSCIP) com finalidades ambientais, científicas, educativas e socioculturais.
O objetivo do IA-RBMA é apoiar a implantação e o fortalecimento da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), a primeira unidade da Rede Mundial de Reservas da Biosfera declarada no Brasil. Essa, aliás, é a maior Reserva da Biosfera do planeta, com 89,6 milhões de hectares, estendendo-se pelos 17 estados brasileiros.
A RBMA é formada por 1.599 unidades de Conservação (Áreas Protegidas). Em suas Zonas de Amortecimento vivem milhares de pessoas que representam uma grande riqueza sociocultural e diversidade étnica. Aliás, grande parte de seus moradores são de comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, pescadores etc.).
O trabalho da RBMA gira em torno de três esferas:
Para conhecer em detalhes todos os programas de conservação e educação ambiental do IA-RBMA, acesse o site da organização e entenda como apoiar esses projetos e se tornar uma empresa amiga da Mata Atlântica.
Imaflora é uma associação civil sem fins lucrativos criada sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dando a elas uma destinação econômica associada a boas práticas de manejo e à gestão responsável dos recursos naturais.
A entidade busca influenciar as cadeias produtivas dos produtos de origem florestal e agrícola, colaborar para a elaboração e implementação de políticas de interesse público e, por fim, fazer a diferença nas regiões em que atua. Para isso, cria modelos de uso da terra e de desenvolvimento sustentável que podem ser reproduzidos em diferentes municípios, regiões e biomas.
Por meio de soluções construídas de forma colaborativa com seus parceiros, o Imaflora desenvolve projetos com o objetivo de:
Com atuação em todos os biomas brasileiros (inclusive na Mata Atlântica), os projetos da ONG contribuem para a conservação do meio ambiente e para a melhoria e manutenção da qualidade de vida de trabalhadores rurais e florestais, populações tradicionais, indígenas, quilombolas e agricultores familiares.
Para saber mais sobre a atuação do Imaflora, entender seu impacto na Mata Atlântica e conhecer maneiras de apoiar os projetos dessa ONG, acesse o site da entidade.
O IPÊ é uma instituição dedicada à conservação da biodiversidade em bases científicas. A entidade atua em pesquisas, formação de profissionais, educação ambiental e programas de geração de renda e negócios sustentáveis que ampliem a responsabilidade socioambiental de comunidades, empresários e formadores de opinião.
A ONG realiza projetos na área de conservação da biodiversidade, com pesquisas científicas e inovação socioambiental, além de ações de impacto com participação comunitária na Mata Atlântica, na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado.
E ainda, com o objetivo de transferir o conhecimento adquirido em suas pesquisas de campo, o IPÊ criou a Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS), em que oferece Mestrado Profissional e MBA.
Entre os impactos dos projetos desenvolvidos pela entidade, destacam-se:
Para saber mais sobre os projetos e pesquisas desenvolvidos pelo IPÊ e entender como apoiar as ações focadas na conservação da biodiversidade da Mata Atlântica, acesse o site da ONG.
Essas são apenas algumas entidades que atuam para defender esse que é um dos biomas mais ricos e diversos do mundo.
Para conhecer outras organizações que desenvolvem projetos para a regeneração e conservação da Mata Atlântica, visite a Rede de ONGs da Mata Atlântica. Essa é uma entidade que congrega mais de 100 ONGs que atuam em 17 estados brasileiros, com projetos para defesa, preservação, recuperação deste bioma.
Conheça todas as ONGs associadas.
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