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Aumento de 1°C na temperatura global pode reduzir o PIB em até 12%

Danos econômicos das mudanças climáticas são seis vezes maiores do que se pensava. Aquecimento global de 2,5°C pode deixar a economia 50% mais pobre até 2100, aponta relatório

Não faltam eventos extremos recentes para ilustrar como o aquecimento global impacta negativamente economias e vidas no mundo todo. Para onde se olhe, há catástrofes de grandes proporções acontecendo. Das enchentes no Rio Grande do Sul que destruíram cidades e tiraram vidas, passando pelos incêndios na Califórnia e pela pior seca dos últimos anos na África Oriental.

No que diz respeito ao impacto econômico das mudanças climáticas, o cenário é pior do que se imaginava… 

Um estudo do National Bureau of Economic Research (NBER) dos Estados Unidos revela que os danos econômicos causados pela crise climática são seis vezes maiores do que se pensava. 

De acordo com a pesquisa, um aumento de 1°C na temperatura global resulta em uma queda de 12% no PIB mundial. E esse nível de aquecimento já foi superado; o planeta está prestes a ultrapassar o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.

O que dizem os cientistas climáticos e os economistas

Quase 80% dos 380 cientistas climáticos entrevistados recentemente pelo jornal britânico The Guardian preveem um aquecimento de pelo menos 2,5°C até 2100; e 42% acreditam que a elevação da temperatura pode superar os 3°C. 

De acordo com o estudo do NBER, se isso acontecer, os impactos econômicos serão devastadores, com declínios de mais de 50% na produção, capital e consumo até o final do século.

Os economistas Adrien Bilal e Diego Känzig, que assinam o relatório, comparam essa perda econômica aos danos de uma guerra doméstica contínua. Segundo eles, as pessoas poderão ficar 50% mais pobres do que seriam sem as mudanças climáticas.

Aliás, na avaliação dos economistas, o poder de compra das pessoas já seria 37% maior hoje sem o aquecimento global observado nos últimos 50 anos, e essa riqueza perdida só tende a aumentar à medida que a crise climática se agrava.

Por fim, o estudo também calcula um custo social do carbono de US$ 1.056 por tonelada. Esse valor é muito superior ao estimado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), que é de aproximadamente US$ 190 por tonelada.

A avaliação dos autores e as estratégias para o futuro

O jornal The Guardian conta que Adrien Bilal disse que a nova pesquisa adota uma visão mais “holística” do custo econômico das mudanças climáticas ao analisá-lo em uma escala global, em vez de com base em um único país.

Essa abordagem, segundo ele, capturou a natureza interconectada do impacto das ondas de calor, tempestades, inundações e outros efeitos climáticos agravantes que danificam a produtividade agrícola, reduzem a produtividade dos trabalhadores e diminuem o investimento em capital.

Diante desse cenário, os pesquisadores enfatizam que é economicamente mais vantajoso reduzir as emissões de gases de efeito estufa agora do que lidar com os impactos futuros das mudanças climáticas. A falta de ação é vista como uma estratégia econômica extremamente arriscada.

Leia também: Bancos destinaram quase US$ 7 trilhões a combustíveis fósseis desde o Acordo de Paris


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Redação A Economia B

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