Ativista ambiental Fe Cortez explica por que precisamos parar de falar em sustentabilidade para dar espaço à regeneração e revela o que é possível fazer para fortalecer essa agenda
Assim que a crise do novo coronavírus foi considerada pandemia pela Organização Mundial da Saúde, em março de 2020, medidas restritivas foram impostas no mundo todo para tentar conter o avanço do vírus.
Os impactos negativos dessas restrições na vida de pessoas de todos os continentes foram amplamente difundidos e são extremamente graves (inclusive, diversos ODS retrocederam desde então). Porém, ao mesmo tempo, a diminuição da circulação de pessoas, da produção industrial, das viagens intercontinentais, etc., mexeu com a natureza de formas positivas…
Esses são apenas alguns exemplos da reação da natureza à desaceleração forçada da vida humana. Contudo, já bastam para quem vê o copo meio cheio ter esperança em dias melhores na relação humanidade-planeta-natureza.
No entanto, seria ingenuidade pensar que simples mudanças de comportamento pudessem garantir, por exemplo, que a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 ºC seja atingida e que a justiça climática seja uma realidade. Para isso, é preciso ir além.
Os dados abaixo corroboram essa visão.
“Até alguns anos atrás, ainda havia tempo de percorrer uma jornada que poderia permitir que simplesmente sustentássemos o planeta para garantir qualidade de vida para gerações futuras. No entanto, hoje isso não é mais possível”, acrescentou.
Para que essa transformação seja possível, é necessário, antes de mais nada, rever conceitos, mudar o olhar e adotar novas atitudes. “Já existe, por exemplo, uma agenda de mudança de matriz energética. Isso é fundamental, claro, mas quem está falando de redução de consumo, de repensar hábitos? O que estamos construindo enquanto sociedade?”, questionou.
“Uma mudança tecnológica é fundamental, necessária, faz sentido. Mas, além disso, temos que fazer um novo pacto enquanto sociedade. Quando trazemos a lente da regeneração é isso que propomos”, complementou.
Pensar na regeneração do planeta pode ser paralisante e até desesperador. Por isso mesmo, o modelo regenerativo propõe um olhar local, contemplando as especificidades de cada lugar. “O olhar regenerativo exige que a gente mergulhe profundamente para analisar cada tipo de relação e necessidade que a comunidade tem”, explicou Fe Cortez.
Ela ilustrou essa visão destacando que uma criança que mora ao lado de um manguezal, por exemplo, precisa crescer entendendo profundamente como cuidar desse ecossistema, enquanto que outra que mora na Amazônia vai aprender sobre aquele ecossistema, e assim por diante.
No entanto, isso não significa que o impacto das ações seja apenas local. “Até agora, a gente departamentalizou tudo, como se existissem grandes compartimentos de conhecimento. Mas esse é um grande erro. Tudo está conectado. Portanto, as soluções precisam ser pensadas de forma sistêmica”, pontuou.
Inclusive, neste sentido, a ativista lembrou que o mangue é o ecossistema que mais sequestra carbono quando é restaurado. Por isso mesmo a restauração é uma parte tão importante da agenda da regeneração e da emergência climática.
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O impacto da regeneração dos ecossistemas na agenda climática é inegável. De acordo com o World Resources Institute:
Mas não é “só isso”.
De acordo com um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em escala global, cada US$ 1 investido na restauração de paisagens degradadas pode render entre US$ 7 e US$ 30.
Isso sem falar que a regeneração de ecossistemas traz oportunidades de geração de emprego e renda. Só nos Estados Unidos, essa é uma indústria de US$ 25 bilhões que emprega 220 mil pessoas, mais do que a de carvão, aço ou de extração de madeira.
Um exemplo desse potencial pode ser visto nos recifes de coral. Apesar de cobrirem menos de 0,1% do oceano mundial, eles sustentam mais de 25% da biodiversidade marinha. Além disso, servem pelo menos um bilhão de pessoas com uma ampla gama de serviços ecossistêmicos – como, por exemplo: proteção costeira, produção pesqueira, fontes de medicamentos, benefícios recreativos e rendimento turístico.
Na visão de Fe Cortez, o papel das empresas na agenda da regeneração é tão importante quanto o papel de todos os demais agentes de transformação. “Nós não podemos deixar ninguém de fora dessa conversa. Precisamos trazer a sociedade civil empoderada, as empresas e os governos. Estamos falando da agenda da vida. Cada um é um grande agente de transformação; em níveis diferentes, mas todos somos agentes de transformação”, apontou.
Neste sentido, ela destacou que, apesar de muitas empresas pequenas pensarem que esse trabalho é mais difícil para elas, na prática, é justamente o contrário. “Virar um Titanic no mar demora muito mais do que virar uma lanchinha. Uma empresa pequena tem uma capacidade muito rápida de regenerar relações e a forma como ela se relaciona com os seus colaboradores. Empresa pequena tem uma verticalidade menor, que permite facilmente identificar os dons daquela equipe e colocá-los a favor da regeneração. Há menos compliance, menos burocracia, às vezes precisa de uma quantidade de insumo menor”, destacou.
Os primeiros passos dessa jornada parecem complexos para você? As histórias abaixo podem inspirá-lo a encontrar o seu caminho!
Se você quer entender melhor como ecossistemas podem ser restaurados, leia este artigo do World Resources Institute (WRI).
Este artigo faz parte da cobertura da primeira Cúpula Global do Clima, evento organizado pelo Sistema B e pelo B Lab. A partir do evento, produzimos o Estudo B #1: Como criar e executar uma agenda climática.
Nesse relatório, você descobrirá as principais movimentações globais para um futuro carbono zero e, além disso, conhecerá histórias de empresas que mostram como inovar e criar diferenciais competitivos nesse contexto.
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